domingo, 24 de janeiro de 2010

DEFICIT EXTERNO RECORDE EM DEZEMBRO


Já há muito tempo sabemos que trabalhar sério não é o ponto forte do governo Lula, porem, sempre tivermos a esperança de que eles estivessem atentos as mudanças na economia.
A rápida reação do governo brasileiro a crise em 2009, tomando as medidas corretas, no momento correto, reforçaram em cada um de nós a convicção de que, mesmo sem trabalhar muito, somente copiando os que os outros governos estavam fazendo, as autoridades brasileiras estavam monitorando adequadamente a economia brasileira.
Por isso, nas muitas vezes que escrevi neste blog sobre a necessidade de uma política que evitasse a permanente valorização do dólar e a perda de competitividade dos produtos brasileiros no exterior, sempre tive a esperança de que o governo iria agir.
Porem, janeiro chegou e com ele a decepção: As autoridades brasileiras se disseram surpreendidas com o déficit externo recorde verificado em dezembro. Meu Deus, por que surpreendidos?
Afinal, não é principio básico nos países em desenvolvimento de que um dólar desvalorizado estimula a remessa de lucros e repatriação de capital ao exterior? Quantas vezes já vimos isto acontecer no Brasil e nos nossos vizinhos sul-americanos?
Surpresa, por quê?
Até este simples blogueiro já havia escrito muitas e muitas vezes que os produtos industrializados brasileiros estavam perdendo competitividade no exterior e que as indústrias brasileiras estavam sendo atacadas no mercado interno face à desvalorização do dólar em relação ao real.
Quantas vezes escrevemos que a falta de uma política industrial estava nos transformando em um Brasil colonial exportador de commodities? Não mais o pau Brasil, nem ouro, mas sempre commodities agrícolas e minerais.
Sem conta foram as postagens que fiz repetindo que um dólar valorizado também seria um desestimulo inclusive ao agronegócio no longo prazo.
Então, surpreendidos por quê?
Contrariando o otimismo do governo, os especialistas consideram que o investimento direto de capital estrangeiro em 2010 não será suficiente para cobrir o déficit que irá se registrar em 2010. Acho que os especialistas estão exagerando, porem, é melhor o governo trabalhar no assunto do que simplesmente ficar assistindo para ver o que acontece.
O mais grave, mas ao mesmo tempo, o que é melhor, é que são necessárias algumas medidas simples para reduzir a montanha de dólares que busca o Brasil atraindo pelos juros elevadíssimos e a Bolsa de Valores de lucros foram da realidade.
Começando pela própria redução dos juros - que teria o efeito secundário muito positivo de estimular o consumo interno -, passando pela fixação de um prazo para permanência do dinheiro no Brasil e até mesmo fazendo incidir impostos sobre os lucros obtidos com a especulação financeira internacional na bolsa de valores, todas estas são medidas conduziriam uma imediata valorização do dólar, solucionando, assim, no curto prazo, o problema.
No longo prazo, precisamos fazer muito mais, porem isto é assunto para outra postagem

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

DESCRÉDITO NA JUSTIÇA

Fiquei surpreso e angustiado com o grande número de e-mails e telefonemas de amigos concordando com a minha crítica ao Supremo Tribunal Federal publicada no blog há algumas semanas e agora, depois das férias de fim do ano, resolvir retomar o tema, pois o assunto não sai da minha cabeça.
Fiz aquela postagem muito mais pensando em algo pontual referente à falta de punição aos políticos envolvidos no mensalão criado por José Dirceu e Marcos Valério para sustentação do Governo Lula. Ainda acredito na Justiça. Como poderia deixar de faze-lo, sendo advogado!
Mas, os amigos me lembraram que não foi apenas neste caso que o Supremo se omitiu e, lamentavelmente, são numerosos os casos de falhas absurdas na administração da Justiça.
O MST faz o que quer no país, invadindo prédios públicos, mantendo pessoas em cárcere privado, destruindo propriedades privadas e incentivando a violência e a Justiça assiste calada, cega e acovardada.
Grandes empresas beneficiárias de empréstimos do BNDES financiam um propagandista do governo na execução de um filme sobre a vida do Presidente e a Justiça assiste impávida, na primeira fila, a cumplicidade entre os empresários aproveitadores, os puxa saco e os vaidosos de sempre.
Um país democrático pede a extradição de um criminoso julgado com amplo direito de defesa e o STF se intimida e devolve o assunto para o Poder Executivo, cujo Ministro é o maior defesor de dar guarida ao criminoso.
Muitos exemplos e, lamentavelmente, agora temos mais um. A censura imposta ao jornal O Estado de São Paulo, proíbido de publicar matérias sobre as malandragens organizadas por Fernando Sarney, filho do Senador José Sarney, aquele mesmo que tinha uma Fundação para se apropriar do dinheiro público e é amado e adorado pelo Presidente Lula.
Será que tinham razão aqueles que alertavam que o STF está sendo "aparelhado" durante o Governo Lula?
Será que tinham razão aqueles que duvidavam da imparcialidade dos Ministros nomeados pelo Presidente Lula?
Pessoalmente, nunca acreditei nisso. Pelo contrário, os exemplos do STF foram de que os juízes, independente de quem os nomeou, sempre se colocaram ao lado da Justiça. Nomes como Ministro Vítor Nunes Leal e o Ministro Aliomar Baleeiro são exemplos dignificantes da magistratura brasileira, independentemente de suas posições políticas, íntegros, probos, a serviço permanente da Justiça, independente de quem e do que estava sendo julgado.
Sempre pensei que o STF "beatificava" seus membros no exato momento em que eles vestiam a toga.
Espero que a nova geração de nomeados do Presidente Lula não acabe com a ilusão de um simples advogado que aprendeu a respeitar o Supremo Tribunal Federal como o templo da Justiça.
Ainda creio na Justiça, apesar dos inúmeros amigos que me recomendam o contrario. Espero estar certo e não me decepcionar.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

UMA LIÇÃO DE BARACK OBAMA AO PRESIDENTE LULA.


“A responsabilidade é minha”. Com esta frase o Pres. Barack Obama alcançou três claros objetivos.
Primeiro, enquadrou os órgãos de segurança americana que falharam fundamentalmente em sua missão de prevenir atos terroristas;
Segundo, demonstrou, mais uma vez, que é um político integro e que não foge de suas responsabilidades, mesmo quando se trata de medidas impopulares, como já havia demonstrado antes na batalha pela reforma do sistema de saúde.
Terceiro, deu uma grande lição de moral ao seu “chapa” Pres. Lula.
Pres. Lula, esta era a frase que todos os brasileiros esperavam ouvir quando estouro o escândalo do mensalão, organizado pelo alto escalão do governo, na ante-sala de seu gabinete dentro do Palácio do Governo, e que transformou o seu governo no mais corrupto de todos, incluindo algum dos piores dos governos militares.
Embora, lamentavelmente, a corrupção seja endêmica no Brasil, nunca antes na História deste país (para usar uma expressão sua, Presidente) um caso de corrupção comandado pelo mais alto nível de assessores diretos do Presidente e dentro do Palácio do Governo permaneceu impune. No caso anterior, Vargas teve a dignidade de se suicidar.
Nós não esperávamos tanto do Sr., Presidente, mas esperávamos que o Sr. tivesse dito a responsabilidade é minha e mandado para a cadeia os Dirceus, os Valerios, os Genoinos que perpetraram esta indignidade diretamente no seu gabinete.
Se esconder através de um covarde “eu não sabia de nada” e anos depois dizer que a Mensalão foi um golpe de estado tramado contra o seu governo mancha impiedosamente a sua biografia, Presidente.
Quando chegar o julgamento da História, quando outros presidentes estiverem usufruindo a mesma popularidade que o Sr., baseado neste mesmo bolsa família, que é o maior crime já cometido contra o povo brasileiro, que está se transformando em preguiçoso, quando os puxa sacos de plantão, que fazem até filme para o Sr, já estiverem puxando saco de outros poderosos, o seu governo, Presidente, será conhecido como o governo do mensalão, do dinheiro na mala do irmão do Genoino, do dinheiro na cueca, o governo da corrupção.
A responsabilidade é sua, Presidente Lula.